quinta-feira, 26 de maio de 2016

Referências 25.05


Às vezes
queria ter a beleza
da Debbie Harry ou 
da Anja Huwe
na década de 80
mas a década de 80 acabou
Escrever
linhas-rupturas
de paradigmas
como o Joyce ou o Bukowisk
Haicais da Alice
o intangível de Clarice
o sertão de Guimarães
Ter a paz embaralhada
do Perfect Day de Lou Reed
ou a aventura ritmada
de Nick Cave em Stagger Lee
Mergulhar
na descontinuidade
de um quadro do kandinsky
para aqui dentro, juntar tudo
Um dia de sol do cerrado
a simplicidade
de Mestre Irineu
conexão e bailado
espaços revisitados
nada mais além que
eu.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Dos lugares e referências: a força do território que reside em mim.

Sempre me relacionei com territórios. Sempre me relacionei com literatura e a arte.Sem querer levar o texto para o tom acadêmico (não mesmo!), mas a definição da Iamamoto acerca do território enquanto tecido vivo de contradições e vulnerabilidades (entendendo aqui a vulnerabilidade também como uma oportunidade) me fascina.Milton Santos que, para além do conceito de espaço geográfico e natural, trouxe também novas nuances para essa compreensão. Desde a horizontalidade e a verticalidade nas relações estabelecidas, ou mesmo pensando a gama de subjetividades manifestas na malha do lugar. Do aqui. E o aqui, fenomenologicamente também sempre me atraiu.É... Sempre me relacionei com territórios. Percebi isso, com ainda mais força, quando, ao deixar São Paulo, observei em mim uma necessidade muito forte de não só me despedir dos meus amigos... eu precisava me despedir dos lugares, e de tudo que eles me contaram, e certamente ainda contarão para mim, ao longo da minha existência.Desde o pôr do sol na periferia de São Paulo, onde eu trabalhava com Medidas Socioeducativas e fazia as visitas domiciliares uma vez ao mês, o pôr do sol que tingia com cores belas um cenário vulnerável. Sempre achei que na periferia a maioria das pessoas se relaciona com o espaço de uma maneira mais próxima e com mais identidade.E me orgulho de ter crescido em um bairro periférico e lá ter amadurecido meu olhar para as contradições cotidianas e para as necessárias subversões. Até o dia em que eu optei por morar no centro.O centro de SP me fala de amor e de história. De diversidade cultural... ele também me diz que preciso ser forte...de ferro (tipo Itabira para Drummond) e que há uma certa dose de beleza na decadência, afinal, ela também é humana.Morar no centro me fez reforçar o lugar conquistado no lado de fora..no underground, E entender que a inadequação pode ser sim bem legal. E seguir caminhando pelo 'wild side'...Apreendi tantas coisas, lançando meu olhar Roseano, ora poético e ora sociológico e político...Nas montanhas do sul de Minas eu entendi que preciso olhar o horizonte para me reorganizar...e posso ficar fazendo só isso por horas e horas seguidas sem me preocupar com as chatices virtuais da atualidade: preciso da natureza.Estou em trânsito... Seguindo agora pela Serra Gaúcha, e por mais quantos espaços eu sentir que devo que andar.E tecer sartreanamente novos sentidos (ou como Simone de Beauvoir): O que importa é a bússola Existencial que me norteia no encontro com as pessoas (humanisticamente), e respeita o meu tempo próprio para me mostrar.Às vezes quero ser quieta. Coisa de criança introspectiva... mas sei que tenho muito a comunicar.Você se sente acolhido pelo território quando compreende (e sente) que a sua primeira casa está no seu corpo, na sua senso percepção... E aí, deixo o frio que vem lá de fora se instalar e olho para esse novo momento.Escrevo sobre educação não formal traçando convergências com o conceito de cidade educadora. Ansiando a prática do conceito: a Universidade como prestadora de serviços reais para a comunidade.Nessas horas eu me reconheço como uma criadora de possibilidades. E criar novos sentidos me faz cantar a verdadeira canção do meu coração.


quinta-feira, 7 de maio de 2015

a pizza

Hoje acordei meio tristinha. Daquelas tristezas que cabem no bolso e você leva pra passear.
De fato, são muitas coisas diferentes acontecendo na minha vida. Somadas à justificativa biológica da TPM, à justificativa climática, já que esse tempinho frio e cinza me deixa melancólica, à justificativa política, já que eu tenho o direito de me sentir assim e... à justificativa existencial de que se danem as justificativas. Sou uma possibilidade de ser (triste) também!
Enfim... coisas. Da vida.

Em dias assim, o melhor que tenho a fazer é ficar em silêncio e andar e escrever: diferentes tipos de movimentos que acabam me lembrando afirmativamente... que a vida também é movimento.
Mas hoje algo diferente aconteceu. Foi um dia truncado, difícil – do lado de fora também. Estava andando pela Augusta depois de me solidarizar com a greve dos professores, soube que o metrô de São Paulo estava mais caótico que o habitual. Desde janeiro ando pela Augusta em clima de despedida. Parei para tomar um café onde sempre costumo parar, e depois de esperar uns 20 minutos sem nem sinal do café, resolvi subversivamente, levantar e vazar daquele lugar, por estar sem a menor paciência.
Daí... me vi sem paciência.
Sem paciência pelas coisas não acontecerem no ritmo, intensidade e forma que anseio. E eu me vi egoísta. Vi a mim mesma humanamente confusa e, de vez em quando, perdida.
Já que não tive o meu desejo cafeinado suprido, fui para o plano B, regado a suco verde e naturebas afins. Comi em um local no qual eu mesma me servi, no meu tempo (tão bom poder atender ao meu generalzinho interno, de vez em quando)... mas senti que não era só isso.

Do outro lado da rua, as luzes do Pedaço da Pizza ganharam minha atenção. O Pedaço da Pizza é uma antiga pizzaria na Augusta, famosa por estar cheia de adolescentes (às vezes?) chatos, mas estava cedo, e estava vazio, e o calor do forno certamente me ajudaria com o frio (sim. tenho sérios problemas com o frio.).
A pizza de banana com chocolate calou a boca do meu generalzinho interno. Ela o tirou para dançar! Despiu a sua farda, encheu-o de flores coloridas tecidas pela psicodelia mais pura e simples, e fez com que ele percebesse (novamente) que na vida não precisamos de tanta rigidez... nem sempre as coisas precisam ser do jeitinho exato que queremos...afinal, existe chocolate, dentre outros fatores!
...E minhas papilas gustativas simplesmente seguiram o bailado conduzido por uma conexão que (talvez) nem três doses de ayahuaska favoreceriam.

Se eu pudesse dar um conselho para a humanidade hoje seria: Coma a pizza de banana e chocolate do Pedaço da Pizza!
Está tristinho? Sem perspectivas? A menina ou o cara com quem você saiu não te ligou? Leu muitos comentários nos posts políticos do facebook? 
Pizza! E dessa vez, sem obedecer ao clichê de que no Brasil tudo acaba em pizza. Essa pizza da qual estou falando foi reintegradora... a última coisa que ela seria no mundo: superficial.

Hoje todos os meus pequenos grandes problemas foram sanados por uma pizza de chocolate com banana. E, de quebra, ainda escrevi meia dúzia de besteiras sobre isso.
Assim, vivi a fatia mais plena do meu dia. Ansiando por dias em que as fatias mais integradoras não sejam necessariamente comestíveis (minha “boa” forma e minha inclinação às relações humanas agradecem ...rs). Mas, por ora... viva a banana e, ah... o chocolate!

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

mais

eu quero é mais...
a saber:
um carinho do sol
banhando
o meu rosto
e a sutileza
de notas musicais
inventadas
escorridas
costuradas
na minha
nostalgia.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

registro urbano

O meu registro de hoje é urbano, disperso, sensorial, pendente. A pendência daqueles que têm menos tempo para escrever do que gostariam. A curiosidade daqueles que caminham pelas ruas do centro de SP com o ouvido naturalmente conectado em algumas conversas inúteis e os olhos registrando imagens aleatoriamente. Encontros...
Hoje, eu vi um menino que não parava diante dos carros. Ele simplesmente ia, arriscava. As suas roupas rasgadas e o seu olhar supostamente aventureiro compunham uma imagem, nem de longe rara, aqui no centro..ou na periferia. Mas, hoje, ele me pegou. E guardei a sua coragem mixada com o seu sentimento de ‘nada a perder’ dentro de mim.
E eu? Tenho aqui a minha parcela de coragem... e me reservo ao direito de ter a sensação de ‘nada a perder’ em alguns momentos. Eu só tenho a minha pele. E as minhas percepções, sensações, observações. Eu-construída... diluída por entre as luzes dos faróis dos carros no trânsito sem fluxo do centro da cidade. Eu fluo... não mais preocupada em fundamentar teorias. Essa fase já passou. Eu sigo...acolhida, e, não por acaso, acolhendo. Estou em casa... em qualquer que seja o lugar.
Eu...que questionei o sentido de unidade quando conheci o de integralidade... sou tantos. Sei ser. E resgatei  o primitivismo do sentir. Sem medo. Todos moram dentro de mim. Olho minhas mãos...minhas pernas já sem pressa. O apelo insistente dos encontros forçados no centro de São Paulo que se dão a todo momento. É gente para todo lado. E no meio de tantos, aprendi a encontrar a paz aqui do lado de dentro. Meu corpo é minha casa: a única, exclusiva e verdadeira. Hoje, não por acaso, eu consigo sentir o quanto me pertenço.
E a minha vida dança em mim...

domingo, 30 de março de 2014

saudades

e eu passei o domingo inteiro com saudades. às vezes tenho a impressão de que o tempo cinza, a chuva quase ensaiada e a vista diluidamente urbana da janela do meu apartamento favorecem a nostalgia e o meu sentimento de quase-fadiga por não te ter ao meu lado em uma hora como essa.
o tema da aula a ser preparada hoje é comunicação. e letras me assaltam...letras me tecem e me costuram em tessituras infundadas, registros esparsamente conectados, almatecidos...registros perfumados, adocicados, descarrilados em nuances de furta-cor...acessados debaixo do meu cobertor dos nove anos, no meu primeiro caderno de anotações sensoriais do qual eu me lembrei hoje, em uma conversa agradavelmente matinal com um amigo querido.
comunicação é o nosso tema: das minhas reclamações. dos nossos desengates, da sua amável tolerância para com a minha impaciência...mas também da ponte de contato itinerante que permite com que diminuamos a distância concreta e física, já que aquilo que não sabemos dar nome, mas que nos liga, é o que nos alimenta.

segunda-feira, 3 de março de 2014

nos assemelhando...

E aí você surgiu na minha frente
E eu vi o espaço e o tempo em suspensão
Senti no ar a força diferente
De um momento eterno desde então

E aqui dentro de mim você demora
Já tornou-se parte mesmo do meu ser
E agora, em qualquer parte, a qualquer hora
Quando eu fecho os olhos, vejo só você

E cada um de nós é um a sós
E uma só pessoa somos nós
Unos num canto, numa voz

O amor une os amantes em um ímã
E num enigma claro se traduz
Extremos se atraem, se aproximam
E se completam como sombra e luz

E assim viemos, nos assimilando
Nos assemelhando, a nos absorver
E agora, não tem onde, não tem quando
Quando eu fecho os olhos, vejo só você

[chico césar]